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Visão geral

O estômago é reservatório, misturador e início da digestão proteica

O estômago recebe o alimento vindo do esôfago, armazena temporariamente, mistura com secreções gástricas e transforma o bolo alimentar em quimo. Nos felinos, tem papel importante na digestão inicial de proteínas, no controle do fluxo para o intestino delgado e na exposição do alimento a um ambiente ácido.

Reservatório

Permite que o alimento seja recebido e liberado gradualmente para o intestino delgado.

Misturador

Movimentos gástricos combinam alimento, ácido, muco e enzimas, formando o quimo.

Digestão inicial

O ambiente ácido e a pepsina iniciam a digestão de proteínas antes da fase intestinal.

Ideia central

Pense no estômago como uma “câmara de preparo”: ele recebe o alimento em porções maiores, mistura com secreções, inicia a quebra de proteínas e libera o conteúdo aos poucos para que o intestino delgado consiga digerir e absorver com eficiência.

Regiões gástricas

Cada região do estômago participa de uma etapa funcional

O estômago possui regiões com funções complementares: entrada pelo cárdia, área de acomodação no fundo, corpo como grande zona secretora e misturadora, antro como região de trituração e controle de saída, e piloro como portão para o duodeno.

01

Cárdia

Entrada do estômago.

Função

Recebe o conteúdo vindo do esôfago e participa da transição entre esôfago e ambiente gástrico.

02

Fundo gástrico

Área de acomodação.

Função

Ajuda o estômago a receber alimento sem aumentar excessivamente a pressão interna.

03

Corpo gástrico

Grande região secretora.

Função

Contém glândulas importantes para produção de ácido, enzimas e componentes da secreção gástrica.

04

Antro pilórico

Região de mistura e trituração.

Função

Participa da fragmentação mecânica e regula a apresentação do conteúdo ao piloro.

05

Piloro

Saída para o duodeno.

Função

Funciona como um portão muscular que controla quanto conteúdo passa para o intestino delgado.

06

Curvaturas

Organização anatômica externa.

Função

Curvatura maior e menor ajudam a orientar vasos, omentos e relações anatômicas do estômago.

Para memorizar:

Cárdia recebe; fundo acomoda; corpo secreta; antro mistura; piloro libera.

Mucosa gástrica

A mucosa produz secreções e protege o próprio estômago

A mucosa gástrica é especializada. Ela contém células que produzem muco, ácido clorídrico, pepsinogênio e hormônios locais. Ao mesmo tempo, precisa se proteger do próprio ambiente ácido que ajuda a digerir o alimento.

Células mucosas

Muco protetor

Produzem uma camada viscosa que ajuda a proteger o epitélio contra atrito e acidez.

Células parietais

Ácido clorídrico

Secretam ácido, criando o ambiente necessário para ativação da pepsina e desnaturação proteica.

Células principais

Pepsinogênio

Produzem o precursor da pepsina, enzima envolvida na digestão inicial de proteínas.

Células G

Gastrina

Produzem gastrina, hormônio que participa da regulação da secreção ácida e da motilidade gástrica.

Pregas gástricas

Expansão e superfície

Permitem acomodação do conteúdo e aumentam a área funcional da mucosa.

Barreira

Proteção local

Muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo e renovação celular ajudam a preservar a mucosa.

Exemplo fácil

A mucosa é fábrica e escudo ao mesmo tempo

Ela fabrica substâncias fortes para digerir alimento, mas também precisa criar uma proteção para que essas mesmas substâncias não prejudiquem sua própria superfície.

Ácido e enzimas

O ambiente ácido inicia a digestão proteica

A secreção gástrica combina ácido clorídrico, pepsinogênio, muco, água e eletrólitos. O ácido desnatura proteínas e ajuda a converter pepsinogênio em pepsina. A pepsina inicia a quebra de proteínas em fragmentos menores, preparando o conteúdo para a digestão intestinal.

1

Alimento chega

Distensão e nutrientes estimulam respostas gástricas.

2

Ácido aumenta

O pH gástrico se torna adequado à digestão proteica.

3

Proteínas desnaturam

Estruturas proteicas ficam mais acessíveis.

4

Pepsina atua

Pepsinogênio é ativado em pepsina.

5

Quimo se forma

O conteúdo segue preparado para o duodeno.

Ácido clorídrico

Cria ambiente ácido, desnatura proteínas e contribui para ativação da pepsina.

Pepsinogênio

É um precursor inativo produzido para evitar digestão inadequada dentro da célula secretora.

Pepsina

Atua sobre proteínas, iniciando sua fragmentação antes da fase intestinal.

Proteção gástrica

O estômago precisa se proteger do próprio ácido

A fisiologia gástrica exige equilíbrio: o ácido e a pepsina ajudam a digerir alimento, mas a mucosa precisa permanecer íntegra. Por isso, o estômago mantém mecanismos de proteção como muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo, junções epiteliais e renovação celular.

Muco

Camada viscosa

Barreira física sobre a mucosa.

Função

Reduz contato direto entre ácido, pepsina e epitélio gástrico.

HCO₃

Bicarbonato

Microambiente menos ácido.

Função

Ajuda a neutralizar acidez próxima à superfície epitelial.

Sangue

Fluxo sanguíneo

Suporte metabólico à mucosa.

Função

Fornece oxigênio e nutrientes e ajuda a remover substâncias que atravessam a barreira.

Ep

Epitélio íntegro

Células bem unidas.

Função

Junções celulares ajudam a impedir passagem excessiva de ácido para camadas profundas.

Ren

Renovação celular

Manutenção da superfície.

Função

Células da mucosa são continuamente renovadas para preservar a barreira.

Eq

Equilíbrio

Digestão sem autolesão.

Função

A função normal depende de produzir secreções digestivas sem perder proteção da mucosa.

Motilidade gástrica

O estômago acomoda, mistura, tritura e impulsiona

A motilidade gástrica combina acomodação do alimento, mistura com secreções, trituração mecânica e propulsão em direção ao piloro. O estômago não apenas “guarda” alimento: ele trabalha o conteúdo até que esteja adequado para avançar ao duodeno.

1

Acomodação

O fundo relaxa para receber alimento.

2

Mistura

Alimento se combina com secreções gástricas.

3

Trituração

Partículas são reduzidas mecanicamente.

4

Retropulsão

Conteúdo volta contra o piloro fechado.

5

Propulsão

Pequenas porções seguem ao duodeno.

Exemplo fácil

O estômago mistura como uma máquina de preparo lento

Ele não despeja tudo no intestino de uma vez. Primeiro acomoda, mistura e reduz partículas; depois libera pequenas porções, como se dosasse o conteúdo para a próxima etapa.

Esvaziamento gástrico

O piloro controla a entrega ao intestino delgado

O esvaziamento gástrico é a passagem do quimo para o duodeno. Ele depende da composição do alimento, do tamanho das partículas, do grau de distensão, da motilidade antral, da abertura pilórica e do feedback vindo do intestino delgado.

Líquidos

Passagem mais rápida

Conteúdos líquidos tendem a sair mais facilmente que partículas sólidas maiores.

Partículas

Tamanho importa

O antro reduz partículas antes que elas passem pelo piloro.

Gordura

Feedback intestinal

Nutrientes no duodeno podem reduzir a velocidade de esvaziamento para permitir digestão adequada.

Acidez

Controle duodenal

O duodeno regula a chegada de conteúdo ácido para proteger a fase intestinal.

Piloro

Portão seletivo

Permite passagem de pequenas porções e retém conteúdo que ainda precisa ser misturado.

Quimo

Conteúdo preparado

É a mistura semilíquida de alimento processado e secreções gástricas.

Para memorizar

O estômago não deve ser visto como um funil aberto. Ele é um dosador: libera o quimo conforme o intestino delgado consegue receber, neutralizar, digerir e absorver.

Controle neural e hormonal

O estômago responde ao alimento antes, durante e depois da refeição

A função gástrica é controlada por sinais neurais, hormonais e locais. O sistema nervoso autônomo, o nervo vago, a gastrina, a histamina, a somatostatina e sinais vindos do duodeno ajudam a ajustar secreção ácida, motilidade e esvaziamento.

Vago

Nervo vago

Estimula fase cefálica e gástrica.

Função

Integra cheiro, visão, expectativa alimentar, distensão e resposta secretora/motora.

G

Gastrina

Hormônio estimulador gástrico.

Função

Participa do aumento da secreção ácida e da atividade gástrica durante a presença de alimento.

Hist

Histamina

Sinal parácrino local.

Função

Atua localmente sobre células parietais, contribuindo para secreção de ácido.

SS

Somatostatina

Freio local.

Função

Modula secreções gástricas, evitando respostas desproporcionais.

Int

Feedback duodenal

O intestino regula o estômago.

Função

Acidez, gordura, osmolaridade e distensão no duodeno podem ajustar o esvaziamento gástrico.

Fases

Fases gástricas

Cefálica, gástrica e intestinal.

Função

O estômago antecipa, responde ao alimento presente e ajusta sua saída conforme o intestino informa.

Comparações

Analogias para entender melhor

Essas comparações ajudam a visualizar o estômago como reservatório, câmara de mistura e controlador da entrada do quimo no intestino delgado.

Estômago

Câmara de preparo

Recebe, mistura e transforma o alimento antes da fase intestinal.

Ácido

Amaciador químico

Desorganiza proteínas e prepara o alimento para ação enzimática.

Pepsina

Tesoura proteica inicial

Começa a cortar proteínas em fragmentos menores.

Muco

Escudo interno

Protege a parede gástrica do próprio ambiente ácido.

Antro

Liquidificador parcial

Mistura e reduz partículas antes da saída.

Piloro

Dosador de saída

Libera pequenas porções conforme o duodeno consegue receber.

No celular, deslize o mapa para os lados para visualizar todas as conexões.

Atlas Felino Interativo — Sistema Digestório — Estômago.

Material educativo baseado em literatura veterinária e medicina felina, revisado pela M.V. Caroline Floor — CRMV/RS 24864.